quarta-feira, 22 de julho de 2009

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Não há tempestade

Não há tempestade capaz de me vencer,
Capaz de destruir a minha maneira de ser.
Não sou mulher de baixar os braços,
Se for preciso luto, combato, arranco pedaços…

Não há tempestade capaz de me vergar,
Capaz de me arrancar este bem-estar.
Não sou mulher para ter depressões,
Esgotamentos, desalentos. Vivo de emoções!

Não há tempestade capaz de me assustar.
A mim não me assusta o futuro,
Por isso ainda hoje me aventuro…

Não há tempestade capaz de me matar.
Em noites de insónia, mal dormidas,
Brinco com a morte as escondidas.

Paula Mendes

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Máscara


Deixe cair a máscara!
Sem rasgos, imagem baça,
Aquela imagem sem graça,
Que nunca o desmascara.

Não teime em reflectir,
Qual fantasia construída,
No viver do dia a dia,
Do seu interno sentir.

Retire essa mordaça!
Que faz do mundo actual,
Um terrível carnaval.

E grite ao vento que passa,
Que tem ousadia e coragem,
De aceitar a sua imagem.

Paula Mendes

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Peregrina

Fui estrangeira durante quase toda minha vida.
Não tenho alternativa, aceito esta condição.
Parti! Rompendo laços e sem alguma intenção,
Secaram-se-me as raízes, de tanta despedida.

Fui peregrina por mais caminhos neste mundo,
Que a memória me consente, deixando tudo para trás.
Falta de um lugar geográfico que me desse paz,
Para gerar novas raízes e enterra-las bem fundo.

A contragosto deambulei por dois continentes.
Forçada ou auto-exilada, como tantos emigrantes,
Vivendo na saudade provocada pela recordação.

E se me perguntarem, afinal de onde sou.
De sítio nenhum! Nem sei para onde vou!
Só sei que sou portuguesa de coração.


Paula Mendes

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Ó tu minha irmã!


Ó tu minha irmã! Mulher guerreira!
Ó tu cidadã do mundo! Mulher valente!
Tu que combateste a morte de frente.
Tu que venceste essa doença matreira.

Vives com a dor, tua triste companheira.
Dor que não larga os teus pobres ossos,
Esfarelados em meios aos destroços.
Restos vivos de uma indesejada parceira.

Quero Poder arrancar do teu peito,
Toda essa dor. Maldita dor sem jeito.
Mas na verdade tudo é diferente…

Perante esta tua constante luta.
Uma luta tão desigual e injusta,
Sinto-me uma inútil impotente.


Paula Mendes

Este poema é dedicado a minha mana Lena e a todas as mulheres que como ela venceram, lutaram ou ainda lutam contra o cancro. Amo-te muito mana...

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Sonhei contigo

Esta noite sonhei contigo.
Sonhei que não tinhas morrido,
Para o outro lado não tinhas ido.
Estavas vivo, sempre comigo.

Com teus olhos cor de mar,
Afagaste meu corpo quente.
De tuas mãos lentamente
Acaricias-te me, fiquei sem ar…

Nossos corpos endiabrados,
Encaixavam como legos.
Lisonjeando nossos egos,
Tais gémeos siameses ligados.

Minha alma estava em paz.
Mistificada com tal devasso,
Imaculado pecado, confesso.
Miragem que um sonho traz…

Mas o sonho chegou ao fim.
O coração cheio de saudade,
Acordei, e na Realidade,
Já não estavas perto de mim.

Porque tinhas que morrer?
Nestas coisas do destino,
Não tem jeito, não atino.
Fustiga todo o meu ser.


Paula Mendes

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Feliz amanhecer

Nesta manhã ao despertar
A luz do sol a irradiar
Cheio de calor no ar
Um dia lindo de louvar

Acordei feliz, meu amado
Olhei para ti ao meu lado
Para teu rosto apaixonado
Na luz parecia dourado

Alma cheia de nobreza
Me deu tanta surpresa
Me seduziu com proeza
Afugentando a tristeza

Que momento perfeito
Lado a lado neste leito
Acaricias-te me com jeito
E beijaste o meu peito

Toda vestida de linho
Para casa, em caminho
Dentro do meu carrinho
Pensei em ti com carinho

Nesta noite ao luar
Nosso amor vou cantar
Um beijo te vou roubar
E contigo vou dançar


Paula Mendes

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Caminho só

Caminho só!
Errante eremita, tal alma penada.
Gládio com pujança, desato o nó.
Atalhos insertos, busco a vida amada.
Nas diligências desta vida sem dó,
Indago redenção da minha alma danada.
De minhas lágrimas assento o pó…

Exausta, padeço com tanta dor!
Adornada deste manto vermelho,
Que já quase não tem cor,
Tal reflexo fosco no espelho.
Sinto nas feridas da vida, ardor.
Anseio felicidade, sentimento alheio.
Busco neste frio polar o calor…

Não quero ficar inerte na solidão!
Residir eterna prisioneira na melancolia,
Velejar nas águas trovas da decepção.
Mas sim! Arquitecto alento nesta agonia,
Forjando o trilho que leva a vocação.
Que faz da vida Harmonia,
E enche de amor meu coração.


Paula Mendes

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Funèbre anniversaire


Huit ans ont passe depuis ta mort,
Et je me souviens encore,
De cette nuit ou le sort,
T’a emporte vers la mort.

Je t’attendais dans le froid,
Heureuse dans se bec étroit.
Anticipant l’instant de ces émois,
Puisque tu serais bientôt prés de moi.

Si typique, l’ivresse des amants.
Mais j’ai attendue vainement,
Puisque a la croise des chemins,
Le sort en a voulue autrement.

Toi, qui autrefois ma tant aime.
Qui m’as toujours tout donné.
Pourquoi m’as-tu abandonné,
Toute seule dans cette immensité.

Fait que la tristesse de ces jours,
Soit chaque fois plus cours.
Pour que je puisse un jour,
Me délivre de ces murs.
Et te rejoindre pour toujours…

Paula Mendes

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Mon agonie


Doucement mes yeux s’ouvrent,
Vers l’obscurité de ma chambre.
Je sens tous prés, cette présence,
Ton essence.


La mort a fait de toi immortel,
Vampire de mes insomniaques nuits.
L’ange noir de mes ténèbres,
Qui m’assombrie chaque nuit.


Mais qui donc es mort ?
Ne suis-je pas, l’esclave pénitente.
Prisonnière, de se morbide purgatoire,
Agonisante dans le désespoir.


Mais quel pèche a ton commis?
Dans cet amour infini.
Pour susciter tan d’envie,
De tous ces dieux maudis.


Paula Mendes